Visitas

Pedaço de flor
Pétala de carne
Cheiro de beijo amargo
Gosto de olhar ferido
Coração liquidificador
De onde hei de bater
Vitamina de amor
Que tu não haverás
De beber e matar
Tua sede de fenecer...

Cor de chumbo
Peso d'água
Choveria
Verias!

Sibila
De tempestades
Prenha de raios
Ventarias
Irias!

Encontro celeste
Cinério
Criamos a luz
Branca nubosa
Quem diria...

Porquanto tenha morrido a alma
Salgada do faroleiro
Apagou-se para sempre a luz
E abandonou-se à sorte
O farol
Que enferruja e tomba
E sepulta-lhe o corpo
Preservado pelo sal
Desenganado pelo sinal
Da embarcação
Em que não estás
E que jamais virá

Ironia de maré:
Escuro e apodrecido
Ainda assim é referência
E aviso de perigo...

Sou de palha
Espantalho
Pego fogo ligeiro
Não sobra nada
Nem fumaça
Nem o cheiro
Brinca de amor
Filho da puta
Pra ver se não te queimo inteiro

Os caminhos que não quiseste
Tomar nas bifurcações
Ou que não pudeste
Seguir por causa dos nãos
Veja, todos eles, como o teu
Terminam no céu...