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Cada barril um coração
Maturando uma paixão
Melhor com o tempo que passa
Vício, cachaça
Isso de se apaixonar
Sabendo que um dia
Vai se acabar...
Me envolve de cima a a baixo
Devagar com paciência
Que já não tenho
E que te sobra

E se me tem à mão
É só para lançar-me
Ao longe, roda pião
Mas roda perto

Que de tanto girar
O tonto novamente
Pelo laço
Se deixa pegar

Teu peão
Teu pião
Tem diferença?
No teu peito
Não tem não...

Tenho coleira
Com meu nome
Não o seu...

Gato preto, sexta-feira
A lua sobe, ele some
Azar de quem perdeu...

E vais por aquela estrada?
Vou sim
Sem saber o que há depois daquela curva?
Ah, mas eu sei o que há depois daquela curva
Só há nuvens
E as tempestades que elas fazem
E vais assim mesmo?
Vou por isso mesmo...

De todos os saques
- cruéis ataques -
Da vida bandoleira
Que assalta na estrada
- já sem rumo, picada -
O pior foi o furto
Do nome e do rosto
- para sempre nunca mais -
Do meu primeiro amor
De que restou apenas
A lembrança do sentimento
Um fantasma a que se se acostuma
Uma bruma

Melhor fosse não ter amado
Nem pela primeira
Quanto mais pela última
- Vês? -
O amor é uma armadilha
Maldição de deuses - cães
Que se alimentam
- e se divertem -
Com nossos retalhos
E corações
Escorrendo pelos lábios

Um amor não correspondido...
Um há de perfurar-lhes
A garganta
Na santa paz
De uma vingança...