Visitas

Fico imaginando como seria se tivesse sido,
e se ainda poderá vir a ser.
Será que neste período sou a voz passiva?
Devo ser a voz ativa?
Imperativo!
Não sei mais se sou o sujeito ou objeto direto indesejado
— objeto indireto desejado, corrige a professora; fetiche —
Talvez tudo não passe de orações sem sujeito
— preço de ser indeterminado —
Faltaram-nos os conectivos,
Ficamos assindéticos,
Orações absolutas e solitárias.
Tivemos o contexto
— que péssimos leitores fomos —
Bastava desdobrar a semântica.
Mas fomos gramáticos normativos
— reflexivos, construtivistas; falhamos —
E agora estamos assim,
Literatos sem ter o que dizer.

Se ao menos tivéssemos tido a coragem
De inventar nossos próprios advérbios
De tempo, de lugar, de companhia
E de prazer...

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