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Relativ(a)idade

Não são os vinte e talvez mais anos
Que nos assustam e amedrontam
Os corações que de tempo nada sabem,
Mas a sombra que à luz da razão
Projeta-se sobre os desejos nossos.

Separados por um abismo
Que se torna nada
Tamanha a esperança
Que dança
Voando em palavras hesitantes
Que trocamos.

[Sinais de fumaça]

E eu me pergunto, enquanto sonho-te mais velha
E desespero-me por mais novo:
O que terá acontecido
Com o “que seja eterno enquanto dure”?

Ficou nos versos,
Como nós,
Dueto sem rima,
Relógios desacertados.

E basta, sabemos,
Apenas querermos.
Mas, se sabemos que queremos,
Por que não somos
E nem estamos
No mesmo tempo
Na mesma batida
Do carrilhão?

O tempo é tão relativo
Quanto o medo
Que dele
Temos.

O relógio não sabe a diferença
Entre meio-dia
e meia-noite.
Aponta o mesmo doze para os dois.
Por que nós não podemos
Fazer o mesmo
E esquecermos
Do tempo

E sermos
Os dois
Um único
Ponteiro?

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