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Insana overdose de sonhos puídos
Carcomidas neuroses histéricas
São as formas de vida inconsciente
E doente
Que transformam minha vigília
Em sonambulismo perene

Do absurdo narrativo das imagens oníricas
Transcrevo a história de meus dias
Afogados em significados obscuros
E equivocadas certezas
Sobre todas as verdades infundadas
Nas teorias desatinadas de loucos confiáveis

Desfilam deformados personagens
Por aquareladas paisagens penumbrosas
Exigindo de mim a coragem para entendê-los
E absorvê-los em suas demências
E dementes aparições entrecortadas de medos
O pavor de sorrisos tortos e vísceras coloridas
Animais fantásticos e o ódio em sua forma mais pura
A que dilacera toda a razão que mantinha-me são

Castelos em ruínas, damas putrefatas
Dragões exalam o fogo dos demônios mais perversos
O retorcido Dom Quixote trespassado de estacas
Cospe a baba sanguinolenta da fúria torpe
Que nasceu do pudendo podre tesão
Que emana das tuas nádegas brancas
Desafio hipnótico de uma realidade frustrada

O caos do sono profundo confunde-se
E mistura-se com a loucura da vida diurna
Nos pátios mal cuidados e celas acolchoadas
Em que me estilhaço e verto humores
Sangria improvisada pelo talho de neuroses
Com que me corto ao tilintar de facas e beijos

Atrevo-me ao sexo angelical
Coitos incertos e prazeres multifacetados
Entrego-me a amores demoníacos
Promessas mentirosas cujo preço é a sedição
Dos arquétipos que me acorrentam à falsa ideia
De estar vivo e ser alguém

Encerro a tortura da inaudita violência de amar-te
Livrando-me desta branca camisa cintada
E entregando-te-me aos pedaços
Em escarlate alucinação delirante
Como foi o amor
Que nunca fizemos

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