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É sempre de madrugada
Que me roubas o sono amarrotada
Que me amas a bofetada
Que exiges de mim o orgasmo da rima
O prazer do verso
Egoísta, não te importas com mais nada

Agarra-me pelo braço e devora-me o corpo
Escrevo sob teus gemidos
— os meus, de agonia —
Aquilo que determinas
Sinto a ti como brasa
Coito insaciável de palavras
Prosa e prazeres
Presos em linhas tortas
Nossa cama de papel

Tiras de mim tudo o que queres
Me extingue o fogo essa tua chama
Sei bem o quanto me amas
É amor bandido, desses de folhetim

Saciada, não mais ferves
Satisfeita, me abandonas
E me deixas sozinho à cama
Pois já conseguiste o que querias de mim

A poesia
(ou o amor?)

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