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Terminou assim, num quarto de hotel, escancarada e vazia, horrivelmente oca, abandonada, sozinha. Enquanto jazia no carpete desbotado e mofado com total desalinho, jogada de qualquer maneira ao canto e à mágoa, ele já desfilava com outra que acabara de conhecer pelas ruas da cidade. Sem nenhuma culpa, sem nenhum remorso. Os dois, que tinham passado os melhores dias de suas vidas em países exóticos, em cidades movimentadas, muitas vezes pernoitando até em saguões de aeroportos, nunca mais se veriam, foi o fim, o terrível fim de uma relação de anos a fio. E daquela maneira... Ela, jogada fora como lixo, esquecida de propósito, rasgada. Ele, provavelmente já sem nenhuma imagem dela em suas retinas, agora espelhadas belo brilho de uma nova relação, exibindo-a naqueles mesmos saguões de aeroportos. 
Quem descobriu-a assim, inerte no abafado quarto 404, foi a camareira, que deixou escapar, com a mão à boca, uma lágrima mais pesada do que aquela mala velha e rota já fora tantas e tantas vezes nas mãos daquele homem.

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