Visitas

E viu que secaram-se-lhe as lágrimas
E, desse modo, decidiu-se a ir embora
E foi como em vida viveu, por assim dizer
Porque secaram-lhes aos outros
Também qualquer lágrima ou afeto
Foi-se, pois, como veio:
A sós

Velaram-no entretanto
Muitas outras solidões
Ao ver que ninguém o pranteava
Decidiu o coveiro deixá-lo
Ao tempo e, de novo

A sós
Aquele rubro ponto final
Encerrou sua vida
Com o mesmo vermelho
Com que se escreveu
à epígrafe

Todas as linhas eram do branco
Do corpo que nunca teve
Capítulos azuis de olhos celestes
Se misturavam ao céu
Em que agora talvez esteja

Um livro transparente
De um homem invisível
Um desejo intangível
Nostálgica ausência

As histórias de amor
Escondidas dos sebos
São bem mais baratas

E raras
Quando compreendeu
Deixou de escrever
Faltou-lhe a vida
Que nunca compreendeu
Mas sempre escreveu