Visitas

Hoje sobre ti eu escreveria
Qualquer coisa que falaria
De como me ferem seus olhos
E me cortam suas unhas
E me enfeitiçam suas curvas

Mas já no primeiro verso
Veio à janela um gato
Que acomodou-se ao beiral
E decidiu desafiar-me o astuto
Como sobre ti não mais escreveria

Era negro e, portanto, à noite
Invisível - Alice, a quem mais amo
E para quem mais sorrio
Tinha os olhos azuis - às vezes
E amarelos: os teus, das íris redondas

As unhas debaixo do pelo macio
Que era como fazias
Por causa de uma mordida minha
Ou duas, às curvas
Como bem sempre gostaste

Deixei a pena ao tinteiro
O gato matreiro sorrir pareceu
Bocejou, esticou-se e empinou
Só para depois levantar-se
E deixar-me a sós com a janela aberta

A pena enfiada à tinta
O poeta a perder seu poema
A aragem e o fantasma de um gato

Era fêmea, aposto um verso!

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