Visitas

Escrevo na madrugada
Porque é nela que está a coerência
Da sua inexistência
E de nenhum meu leitor

Essa solidão gelada
Tão condizente com tua frigidez
E aquele copo de vinho frio
Aguardando o orgasmo
Na geladeira

É fechando os olhos
Como fechas as pernas
Que busco alguma rima
Em teus grandes lábios
Que não se abrem
Num meu sorriso

É no silêncio que escrevo o verso
Que te faz ruídos
Que te traz grunhidos
Que me gritas o nome
Que só eu escuto

É quase dormindo
Que quase te amo
Sem ter a certeza
De que não te amei
Nem de que te amei

Musa puta de fino trato
Bem dizem que não se pode
Beijá-las na boca suja
Que me xinga
De poeta

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