Visitas

Senta. Não! Fica
De pé te vejo os pés
E as canelas
Às barras da camisola
Branca é a tua pele
Quem te aqui chamou
A essa hora da noite
Do dia, da vida?
Sabes que sonambulo
E perambulo pelo que é sonho
E me vens à sala, de pé, do nada
De um susto
És a única luz no escuro da casa
Que querias, matar-me?
De novo? Que de mim queres mais?
Teus olhos que não se apagam
Pisca! Não! Que me rebento
Na ilha de uma mesa
No atol de uma cadeira
Naufrágios de sofá
Por que não te temo assim?
Por que amo esse teu fantasma?
Aí, parado, me olhando vazia...
Nem um sorriso pela visita?
Me velas? Te velo eu?
Quem morreu, afinal?
O amor jaz à cama
Nós, à sala
O horror de pé
À mostra na mortalha
Tão branca, tão linda
A franja e a moldura lisa
Do preto que risca o branco
Do rosto, do linho
Vem à varanda?
Faz frio, estás linda
E eu que não posso voar

Nenhum comentário:

Postar um comentário