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Bilhete de Dispensa*

Caro chefe estou escrevendo para dar notícias minhas
Nesse momento em que eu escrevo, acho que a morte se avizinha
Meu corpo todo é hematoma, meu rosto está feio de ver
Mas lhe escrevo este bilhete para dizer, por que hoje não vou comparecer

Do décimo quarto andar tijolos tinha que descer
Mas só jogá-los para baixo bom não parecia ser
O capataz mal humorado sugeriu de forma rude
Que eu teria que levá-los pouco a pouco amiúde

Descê-los dessa forma era muito devagar
Então icei um barril grande, pra com uma corda segurar
Mas na pressa de fazê-lo eu mal pude perceber
Que o barril com os tijolos pesava muito mais que eu

Do chão desatei a corda e o pesado barril caiu
E eu me prendi a ela e ao contrário então subi
Rápido como um foguete, conformado percebi
Que na metade do caminho encontraria com o barril

O barril quebrou-me o ombro tão veloz que ele caía
Cheguei ao topo e com a cabeça quebrei a maldita polia
Ainda atado à corda quase desmaio com a pancada
No chão metade dos tijolos do barril foi espalhada

Bem, quando esses tijolos foram lançados do barril
Eu pesava mais que ele, e lá vinha o projetil
Amarrado ainda à corda desci rápido ao chão
E caí sobre os tijolos espalhados de montão

Eu gemia arrebentado, “o pior já foi” pensei
Só que o barril chegou lá em cima e na polia ele bateu
Choveu tijolo sobre mim e eu quase apaguei
E assim atordoado a maldita corda eu soltei

O barril bem mais pesado então desceu uma vez mais
Caindo sobre mim, debilitado por demais
Quebrei o braço e três costelas e só me resta dizer
Que eu espero, possa compreender, por que hoje não vou comparecer


*baseado no original inglês interpretado pelo grupo irlandês de música folclórica The Dubliners, The Sick Note

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