Visitas

Me entorta
Exorta a não cruzar
A porta e pede
Implora
Talvez mais meia hora
De mentiras macias
Como os travesseiros

Suspira e arca
O corpo, a anca
A ponte que atravesso
Da qual me jogo
Ao jogo de te ver do avesso

Arfa desenfreada
Sobre a fronha esgarçada
E amarrotada
Com que te amarro
Desgrenhada
Ao pé da cama

E chama, clama
Que o desejo que te assola
Esse corpo de viola
— e rebola —
Rebenta logo num orgasmo
E o espasmo desregula
Tempo e espaço
E o abraço é o que nos resta

Agora deixa que te caia
Uma madeixa pelo ombra
E essa vista se transforme
Em meu melhor assombro

E que eu nunca mais
Te subtraia
De nós dois

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