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Bate à porta a madrugada
Traz com ela a bem amada
Iluminada de lua alta
Vestindo o que a mim faz falta

Entra sem cerimônia, abusada
Encontra-me à tinta derramada
Cochilando a sonhar com ela
Em meio a uma trova singela

Sei que a mão que afaga
O seio que roça e provoca
A perna que pela minha vaga
É ela que em mim desemboca

No entanto não me acorda
Sabe bem que se eu desperto
Não nos temos mais por perto
Eu esqueço, ela recorda

E passa o tempo esse chamego
Até que vai-se a madrugada
E vem a manhã apressada
E leva a desassossegada

Desperto com a claridade
E vejo terminada
Com outra caligrafia
A poesia interrompida

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