Visitas

Não, pára, afasta os dentes
Aproxima a boca e diz
Que sou teu alho e tua cruz
E mesmo assim me queres

Vem, sai da luz
Me acompanha à sombra e diz
Que meu abraço gelado
Te esquenta mais que o sol

Mesmo morta ainda queres vida
E me persegues com a sede rubra

Mesmo vivo queres o beijo frio
E me procuras com temor de gelo

E se te encontro em castelo antigo...
E se te acho ao nascer do sol...

O que nos separa não é o dia
O que nos impede não é a noite

Preciso tanto do teu sangue frio
Eu morreria pelo teu sangue quente

Vai, volta pra tua tumba
Leva teu corpo cinza
Se realizo meu desejo
Só com um beijo não me satisfaço

Vai, esquenta tua pele viva
Foge da solidão, escapa do meu silêncio
Que só com um sanguíneo gole
Tampouco eu pouco me complemento

A boca que morde
É a mesma que diz te amo
A mão que afaga o colo
É a mesma que me esconjura

Até amanhã?
Até à noite.
Ao meio-dia?
À meia-noite

Sempre meios
Jamais inteiros

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