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No dia em que saí do estaleiro
Batizada de champanhe com teu nome
— molhada de álcool e de homem —
Recebeu-me o oceano por inteiro

Fui de um a outro continente
De calmaria a tempestade
Às vezes sem a menor vontade
À deriva, vento em popa, contente

Ah, tantos portos e pessoas conheci
Fui de carga, reboque e passageiro
Ora às correntes, ora ao timoneiro
Naveguei, soçobrei, adernei, (vi)vi

Então um dia uma onda traiçoeira
— Não duvido, inveja de sereia —
Levou-me à praia em cuja areia
Escrevemos nossos nomes, noite, candeia

Aquele mar que de tão raso
Revelava meu próprio casco
Prendeu-me ao fundo por descaso
— navio na garrafa, frasco —

Nua maré baixa
Vestido d’água maré alta
Transparente de qualquer modo
Afogada de mar, sufocada de ar

Só sobrou-me a carcaça
Que do tempo por trapaça
Enferruja, corrói e dói
Com a maresia úmida e salgada
Que já traguei da tua boca

S/ua
O/utrora
S/ua

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