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Vem comigo e cata o vento
Que me trouxe a tempo o alento
De novos ares e amares
E inflou as velas, ah, há mares

Roda o moinho e faz farinha
Do novelo que não dá mais linha
Que já deu à pipa, papagaio de papel
O mais azul do mais alto céu

Manda a chuva embora agora
E gira, Sol, em torno dela
Quem sabe a luz da aurora
Não a traz de volta da capela
As letras de fogo
Já escrevi-as todas
Falta agora queimar a carta
Com a chama do teu olhar
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Do terrível incêndio que a consuma
Espero não salvar-me dos escombros
Que sobrarão da trágica ruína
Da leitura tua — combustão
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Hei de ser as cinzas
Do rescaldo que fará teu pranto
Como foste a brasa viva
Que ardeu o meu desejo — combustível
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Corações inflamáveis
Cheios de amores voláteis
Não sobrevivem os amantes
À violenta explosão da paixão — fagulha
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O pavio da nossa historia chegou ao fim
Nun canto necrosado
Do meu coração já esgotado
Fiz singela capela onde venero
A que não mais ainda quero

À meia luz do candelabro
À penumbra da carne rubra
Habito o mosteiro macabro
Onde o fantasma poeta lucubra

Vem, assombra-me e me inquieta
Sussurra segredos no escuro
Mostra-te enfim!

Dá-me tua mão fria e arquiteta
O fim desse poema obscuro
Prostra-te
Sobre 
Mim
...