Visitas

A rua de terra batida
Casario adormecido
É noite, falta luz
Sobra insônia
E nem um sonho...

Estrelas brilham no mesmo
Tempo do canto dos grilos
Brilha o grilo no grama
Guizalham as estrelas no céu
Mortas, as folhas dançam
O vento se a lhes concedeu
Mariposas farfalham

Ninguém no portão a chamar
Vou atender, pode ser...
Quintal de ossadas
Manhãs enterradas de tarde
Veladas à noite
Ressurreição, madrugadas

Penduro-me à grade
Agrada-me o escuro
Da rua deserta
Fantasmas não deixam pegadas

Um relâmpago longe
Depois da montanha
O som do trovão me fala de um nome...

Sob a luz repentina
Do poste entortado – cansado
Surge-me um cão
Sobre as patas sentado

Seus olhos flutuam no preto do pelo
Me encaram e perguntam:
Você não tem medo?

Só do segredo
Que o peito
Não conta

E do cão
Que anda na luz

Nenhum comentário:

Postar um comentário