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Ah, peça-me um beijo obsceno
Roube de mim o sossego
Tire de mim o juízo
Mas não me venha pedir
Nem um verso sequer
De uma velha poesia
Qualquer

Por que perder tempo
Rabiscando o papel à pena
Quando melhor rima faria
Escrever-te na a pele à língua?

Por que construir uma estrofe
Quadrinha, trova, soneto
Se o corpo teu que adoro
Já é construção, é poema?

Ah, não peça nem mesmo uma linha
Não me prendas à escrivaninha
Liberta-me à cama e ao quarto
E ao amor descabido, farto

O escritor quer da musa a palavra
E da mulher a loucura
Aquela a tinta grava
Esta é a mais bela gravura

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