Visitas

Vinha de longe
Queimando a noite
Abrindo caminho
No escuro do mundo

Limpa trilho
Limpa trilha
Segue o trilho
Segue a trilha

Um ponto de luz
Desenhando à fumaça
Fantasmas e monstros
Por onde passava

Limpa trilho
Limpa trilha
Segue o trilho
Segue a trilha

O apito abafado
E cansado berrava
Acordando os mortos
Defuntos que eu via
Dançando da minha janela

Limpa trilho
Limpa trilha
Segue o trilho
Segue a trilha

Arde a caldeira
Com o fogo do inferno
Viaja sozinho
Não tem maquinista

Medo do trem
Medo do trem
Medo do trem
Morriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.....

Siderodromofobia


À esquina, sob a neblina
Que torna a rua difusa
Esguia
Esgueira-se o vulto da menina
Que por mim perpassa etéreo
Perplexo e funéreo
E some à névoa que a engole
E digere
E me desaparece
Aos olhos de quem vive
Nas nuvens

O fantasma era eu
Uma gota na garoa
A garota que morreu

Cerração



Pode ser o seu cabelo que me cobre
Ou pode ser a noite que me dorme
Essa escuridão...

Pode ser o beijo que me ama
Ou pode ser o sono que me cama
Esse torpor...

Pode ser vigília embriagada
Ou pode ser o sonho à madrugada
Essa visão...

Pode não ser o seu espectro
O vulto que me espia de perto

Mas bem que podia ser...


Isso de inventar e jogar ao vento
É do coração irresponsável
Que não aventa haver no caminho
Quem fique, com tanto invento,
Sem ar, no desalento
Apesar da ventania
A pesar na ventania

Não é à toa que se escreve
Poesia à pena leve

Foi o meu ou foi o teu
Coração soturno e matreiro
Que tomou pá e se fez coveiro
Abrindo em teu rosto duas covinhas
Em que ora numa ora noutra me deito
De onde não me levanto, côncavo leito
A cada sorriso que não me dás?

Foi o teu ou foi o meu
Tempo perdido, exímio escultor
Que talhou em teu rosto duas covinhas
No osso da face de eterno sorriso
Das quais me levanto defunto e assombro
As rasas covinhas de outros sorrisos?


Desejos correm pelas savanas
Vão soltos, selvagens, sacanas...
De repente a surpresa
De um par de presas
Que nos morde, perfura e come
E some

É sempre o dia da caça
Cada vez que você me abraça



A quanto?
De graça, quase nada
Só um olhar
E já seria seu

Há quanto?
Em caixa, quase nada
A última batida
Ninguém nem escutou

Então já acabou?
Eu queria...

É muito
E eu não teria
Troco