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Ah, noite, à noite...
Que de mim sem ti?
Com suas vozes surdas de murmúrios
Que me segredam coisas que não entendo
Entre nomes de que me lembro
Com saudade e medo espúrio

Ah, pobre louco tresnoitado
Que passa noite ao gemer macabro
Do dolorido amor dos gatos
Que mesmo ao som terrível dos miados
Não chega a ser cruel este teatro
Como o amor que não sofri
E ainda assim perdi

Ah, majestoso breu fantasmagórico
Que são os vultos que me perseguem?
São estrelas que prometi e não as dei
Ou são as almas que sonhei, roubei e não amei?
Ah, escuro céu perene e categórico
Cobre-me de trevas que não perecem
E de beijos que não se esquecem

Anoitecer é minha sentença
A noite ser por sua presença
Insone, insano
Deliciosamente assombrado

Nunca mais há de nascer-me o Sol
Pois que para um único amor
Uma única estrela

Os dias são tão egoístas
E as noites, tão generosas...


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