Visitas

Fechaste-me todas as portas
E todos os corações
Tiraste-me todos os sonhos
(menos os mortos)
E todas as profissões
Surraste-me a cada dia
Nunca tive descanso
E tu, jamais, piedade

Roubaste-me a família
Mataste-me o amor
Negaste-me até mesmo
O direito de ajuda pedir
A qualquer um
Por qualquer coisa
Um alívio qualquer

Fui teu trapo, tua vítima
Nada sobrou-me, ninguém
Senão desespero e dor
E na escuridão da doença
Escondeste-me a cura

Mas, no final, vida
Por mais roto e desgraçado
Imprestável e infeliz que eu esteja
Ainda terei o direito da morte
E então, vencerei sobre ti
Porque não lhe darei
O prazer de sentir
Que eu sinta em minha boca
O meu próprio gosto de sangue
Mas tu sentirás todo o fel
Da amarga derrota o gosto

E estará terminado o terror
E determinado
Com o meu
O teu
Fim


Nenhum comentário:

Postar um comentário