Visitas

No sonho (?) havia esse corredor
De um lado os vitrais e a refração da noite
Do outro, os olhos em óleos sobre tela
A me seguirem estancado, o horror

Ao fundo a fátua figura
De branco rasgado e despenteado
Cabelo no rosto sombrio e esguio
Flutua flanando, o fantasma da noiva

Dois candelabros de velas antigas
Balançam as chamas já por se apagarem
Fazendo as sombras — do quê?! — deslizarem
Enquanto me alcanças recitando cantigas

Não posso mover-me, não estás mais tão longe
Espectro sinistro, translúcida alma
O vento assobia à fresta do vidro
Sibila meu nome por entre teus dentes

Nos quadros os rostos sorriem zombando
Do medo terrível que vai-me tomando
Tão perto teus ossos à mostra por fim
O último beijo amortalha-se em mim


Nenhum comentário:

Postar um comentário