Visitas

Não me venhas com a velha rima
Ideia suja e ressecada
De quereres ser meu sabonete
E me deixares perfumada

Nem te quero-me esfregando
Como esponja a pele inteira
E nem penses em abraçar-me
Como abraça-me a banheira

E não me importo se disseres
que me banho em tuas lágrimas
Salgadas — sais de banho
Sais do banho, assim, tão trágica...

Não saio, não insista
Nem queiras ser a toalha
Que me enxuga o corpo e a vista
E nem sei sequer se quero
Que a muito mais assistas

Talvez depois de seca
Com alguma roupa à cama
—Se o sono permitir
E a insônia me convencer —
Deixo que tu em mim te banhes
E que eu seja a tua esponja



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