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Escrevo-te esta carta de poucas linhas
Pois pouca é a tinta da saudade minha
É a última vela, é o último fólio
Eu mesma não passo de um restolho
Do que já fui para ti
Do que nunca sofri

Desejo dizer-te apenas que amei
E que não me esquecerei 
De quem um dia fui
De ti talvez eu me esqueça
De nós dois, afinal
Só eu sobrevivi

Acaba o espaço no pergaminho
A chama da vela hesita
Vão-se as palavras...

Um último gesto da luz cansada:
Cobre-me com a sombra da pena

No escuro
Só os olhos de um rato brilham
Bem mais que os meus
Do mesmo jeito que brilhavam
Os teus


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