Visitas

Quando perdi-me de mim
Ainda criança no escuro
Busquei à luz do abajur
Sozinho em bibliotecas
Alguma pista escondida
Em incontáveis livros secretos
Que tanta gente já lera
Quem era e por que me perdera

A cada página lida
Cada livro encerrado
Era um eu diferente
Sempre sonhando
Ter-me encontrado

Da imaginação de criança
Do herói ao vilão, capa e espada
Aos livros com poucas figuras
Vi por detrás das cortinas
A História dos Homens, da Vida
O que era o Amor
E as faces da Morte

Vi segredos do céu e da terra
E as línguas de todas as gentes
E vi que era um poço sem fundo
Seguir tantas letras e livros
Só pra saber quem eu era
Qual era meu papel no mundo

Depois de ler tanto, ler tudo
Mentira! que o tudo ainda é pouco
Decidi que talvez escrevendo
O que ninguém mais havia escrito
Mentira! porque já escreveu-se de tudo
Eu finalmente me achasse
E por fim desvendasse
Onde estava o menino perdido

E escrevendo encontrei mais de mim
Mais do que eu nem conhecia
Muito mais do que a criança pudesse
Saber que existia
Até mesmo sua própria existência perdida

Onde estavas enquanto eu crescia?
Na estante do tempo
Esperando ser lido
Depois de ter sido escrito...

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