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Vem, arromba o portão
Que tranquei-te se puderes
E se quiseres, ainda,
Pula por sobre as barras, tenta
Quem sabe não te arrebentas
Ao cair por cima
Da própria ousadia?

Força o cadeado
Quebra a tranca
Torce o ferro
Morde e corta os pulsos
Quero ouvir o berro
Que te arranca o desespero
De não poder passar

Dá a volta pelo muro
Que não tem fim
Mas que termina no escuro
E volta trôpega, assim
Te arrastando pelas grades
E gritando: crueldade!
Falsidade! Nem há cães
Só o portão!

E se morres por tentares
Nem assim, etérea, passas
Pois te tornas a quimera
Que das sombras vitupera
Que o portão daquela casa
Guarda a alma que trancaste
Para sempre para o amor

Te tornaste o meu fantasma!

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