Visitas

E se disser que aceito
Mas no fundo do peito
Ainda não houver espaço
Para o teu abraço
De menina?

E se todas as fantasias
Já se tornaram tão vazias
Que nem a tua juventude
Será capaz de retirar-me
O ar e a solitude?

Depois de tanto tempo
De desbotado desalento
Esse sorriso enfeitado de vida
Essas curvas, atrevida!
Vêm agora colorir
O desamor descolorido
Com que desenho o meu retrato...

Se é escárnio com o velho triste
Se é perversidade feminina
— já cedo, ainda menina —
O cachorro já está morto
Te advirto

Será que o que viste
Foi que o velho lobo triste
Só precisava ser provocado
Por um olhar ensolarado?

Então, vem
Por tua conta e risco
Talvez o lobo arisco
Ainda possa se apaixonar
Pela menina
Que o faça uivar

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