Visitas

Arranca a verdade minha
Como eu te arranco a roupa
A mentira com que me visto
É mais real que teu corpo nu

Não me importa quem sangra
Se o gosto de sangue no beijo
Escorre pelas duas bocas
E mancha as peles marcadas

Procura em mim, me devassa
Um canto que ainda não provaste
Cada poro tem teu cheiro
Cada centímetro, tua saliva

Olha bem nos meus olhos
Finca as garras em minhas carnes
Meu sorriso é a prisão
De toda palavra tua

No final só o teu corpo
Permanecerá deitado
Minha nudez vertical
No espelho quebrado

Amanhã à noite
Deixe a janela
A camisola e a mente abertas
As pernas incertas
E espera minha sede
Debaixo das cobertas

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