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Me deixaste só e fria
Esquecida em uma memória
Perdida
De que ainda me lembro

Do abandono ao luto
No branco frio do azulejo
Imundo
O limo que me tem por dentro

A sombra que me escorre
Pelo corpo mal iluminado
Desfigurado
Agoniza e se debate noite adentro

Me despiste de sanidade
Mas não escolheste
Bastou a distância?
O sanatório em que me enfiaste

Escolhi-o eu, pois, a insana
E vim morar na tua mente
Para sempre
Inquilina maldita e profana

E só deixarei teus pensamentos
No dia, na hora e no momento
Tic-tac-cardia
Em que te lembres do meu rosto

Que nunca mais
Em tempo algum
— O teu inferno
Reconhecerás...

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