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Sonho
Porque o peso
É tamanho
E a dor é tão profunda
Que não acredito
Que possa ser
Realidade
A brutalidade
Com que sou arremessado
Dia após dia
Contra o chão
Contra a parede
Com essa pressão
Que me tira o ar
E a força
De querer viver

Já (se) tentou a doença
A maldição
Janto no inferno
E tomo café (no) escuro
Tão escuro que nem sei
Se há café
Ou se só há fé
Ou nem fé
Na xícara rachada
Que me corta os lábios
Estancados com lágrimas
Escorridas como borra
Negras como o café

Vem, fiel companheira
Vem ver como no fim
Quase no fim
Ainda resisto
Com um sorriso
Quase um suspiro
E não dou-te a vida
Que já é tua
Mesmo com toda a dor
Que me toma
Como absinto amargo
(Como me sinto amargo...)
E me impede
Ainda que me peça
Um último verso...


Cá vago
A rainha impoluta
De todas as prostitutas
Santas meretrizes
De prazeres inauditos
E amores malditos
Como se houvesse
Um amor ainda
Que não fosse maldito
Pelos que não (me) amarão 
Jamais

Cavalgo
A fúria nua em pelo
Do prazer e arrio
Meu corpo sobre o teu
Sorrio
Que o sorriso é o arreio
Da crina fêmea
Antes amazona
A mais hábil
A comandar a rédea
Sob a qual me rendo
Tua espora
Que não espera

Vagueio
A nudez cansada
E o trote lento
Portento
Portanto
Por tanto tempo
Mais eu montaria
Mas é vasto o pasto
E a liberdade
Não pede sela
Embora queira eu
O sossego
Da tua cela

Doma a dor de partir
Mansa e selvagem
E as duas ao vento
Poderás para sempre
Sentir