Visitas

Sonho
Porque o peso
É tamanho
E a dor é tão profunda
Que não acredito
Que possa ser
Realidade
A brutalidade
Com que sou arremessado
Dia após dia
Contra o chão
Contra a parede
Com essa pressão
Que me tira o ar
E a força
De querer viver

Já (se) tentou a doença
A maldição
Janto no inferno
E tomo café (no) escuro
Tão escuro que nem sei
Se há café
Ou se só há fé
Ou nem fé
Na xícara rachada
Que me corta os lábios
Estancados com lágrimas
Escorridas como borra
Negras como o café

Vem, fiel companheira
Vem ver como no fim
Quase no fim
Ainda resisto
Com um sorriso
Quase um suspiro
E não dou-te a vida
Que já é tua
Mesmo com toda a dor
Que me toma
Como absinto amargo
(Como me sinto amargo...)
E me impede
Ainda que me peça
Um último verso...


Nenhum comentário:

Postar um comentário