Visitas

Ah, maldita mão pesada
Que me fecha os olhos
Em silenciosa insistência
Sono persistnte
Que me leva ao sonho
Quando quero, acordado
Ver sonhando o amor desejado

Devolve à praia
A areia que pesa a vista
Para que descanse - molhada
A minha amada exausta
Do mar que é
O mal de amar

Que todos os demônios da noite
Mantenham-me acordado
Recitando um a um os pecados
Que de prazeres sou culpado
Para que não durma
Nunca mais se for preciso
Enquanto o corpo for real
O beijo, potencial

Que se vão os sonhos
Porque deles se acorda
Quero a realidade
Da impossibilidade
Da nudez a olho nu
Daquela que me fez insono
Fugida dos sonhos
Que sonhei sozinho

Morte inevitável
Chora tu a minha ausência
No teu campo de ossos e cinzas
Posto que nem tu tens o poder
De me levar antes de ter
Consumado na boca o gosto
Do mais real
Impudico e orgiástico
Coito com que jamais alguém
Ousou sonhar

Recuso-me a dormir
O sono eterno
Ou a siesta sem vergonha
O sonho que não tem gosto
Só tem saudade e poesia
Viverei louco de vigilia
Até que um beijo, enfim
Nos faça dormir
Você sobre mim
Eu dentro de ti
Nos sonhos que então teremos...

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