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Eu sou assim
Um traste
Triste figura de mim

Acordo tarde
Durmo mais tarde ainda
Bebo essa maldita poesia
Que a boca arde
Toda hora, todo dia

Mal me alimento
De uma prosa ruim
Um só prato sobre a mesa
E como sobremesa
Essa solidão obesa

Sou esse saco de gatos
De amores abandonados
Jogado no rio
Afogados
Se escutares um miado
Não me salvem
É mentira, é falseado

Mas que diabo a escrita!
Vamos ver se a parede
Rima com notebook!

De volta à máquina
De escrever
Que aguenta melhor
Uma boa porrada
Uma baforada

Cega pelo álcool
Que lhe apagou as letras
Impressas nas teclas
Cujas posiçoes
Conheço de cor
Kama Sutra
Goza na cama e surta
Na ponta dos dedos

a, s, d, f, g
Quero mesmo
É amar você!
E que se foda toda literatura
Ou que seja contrário
O itinerário e o sentido
Dessa estrofe sem amor
Nem transa nem sentido

Sou esse traste perdido
Entre um verso apaixonado
E uma rima despudorada

Pois à parede também
Essa velharia enguiçada!
Só preciso de quatro letras
v, o, c, e
E não é no papel, à tinta
Mas em qualquer lugar
Desse santo pardieiro
De artista
Nua, louca, faminta!

Minha musa nada mais é
Que uma puta embriagada
Vomitada e seminua
Num lugar qualquer
Sobre esse monte de livros
Ambos abertos, lidos
E abandonados

Já pode descansar seu autor

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