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Desculpe, não pude realizar nenhum dos nossos sonhos... Eles morreram tão rápido, e até que sonhássemos de novo... Foi preciso vigília para sobreviver aos pesadelos... Hoje, entretanto, quando vejo esse nosso sorriso que há tanto tempo... Hoje sou e me tornei, ou sempre fui, mas me perdi no meio do caminho, um sonhador. É, só isso, um sonhador. Sou a escória improdutiva, incapaz de relacionamentos saudáveis, ocioso, pobre, amargo, com alguns amigos que ainda resistem... Sou só um sonhador inútil, sou seu futuro interrompido, sou seu fracasso, sua promessa quebrada de felicidade... Mas sonho. E aos poucos vou me lembrando de que você também era um sonhador, lembra? Não sonhou isso, com certeza, mas, se voltarmos à estaca zero, e se tivermos tempo, e sonharmos juntos de novo, quem sabe você me conta, lá do passado, o que devia ter sido e não foi, quem sabe tudo pode começar de novo, aproveitando o que trouxe comigo até hoje, quase nada, eu sei, mas... Já imaginou se nós pudéssemos sorrir de novo, sem camisa no calor, esperando um sorvete, encostado ainda num mesmo fusca, carro de que gostamos tanto, até hoje?!
Depois de tanto tempo você me pergunta o que fiz, e eu querendo saber o que era para ser feito...

Quem sabe hoje, sendo só um sonhador, um pária e uma perda de tempo, num desses sonhos eu não reencontre nosso sonho antigo? E se não encontrar, se não houver tempo para ser alguém, usarei o tempo que restar para sermos tudo o que for possível ser nas páginas em branco que nos deram como futuro. Mais que um único sonho realizado, aquele que não pudemos, realizaremos todos os outros! E quem sabe, até aquele, sem saber que o realizamos.
Ah, meu filho (porque sou filho de mim), eu te ofereço, na desgraça de ser um escritor mediocre mergulhado no ostracismo, um universo inteiro, na esperança de poder sorrir como nós já sorrimos, na época da inocência...

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