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Podiam ter sido as pernas
São sempre as pernas
Mas não apenas
Podiam ter sido as curvas
Dos círculos, esferas
Culpa do pretinho básico
Do decote, ou tua mesmo
Podia ter sido o sorriso
É sempre o sorriso
Antes ou depois das pernas
Mas não era meu aquele sorrir...
Então podia ter sido o olhar
Os olhos de Ísis que tudo veem
É sempre o olhar
Que não me vê, ou vê
Mas nao enxerga
Ou não quer...
Os ombros, ah, que ombros!
As pernas que me perdoem
Mas há certos ombros
Por onde descem braços
E ante braços perco a respiração
Quando vejo as mãos...
Podem ter sido as mãos
Com teus dedos longos
Que apontam e dissimulam
Fazem charme entre os lábios
E acrobacias entre os lábios...
Podem ser os cabelos
Sempre se quer perder-se em cabelos
Floresta de fios e perfumes
Onde se podem esconder os beijos
Na nuca e no pezinho da orelha...

Mas foram as tatuagens
As tribais, as florais
Os pequenos animais
Que dizem tanto de ti
E que me fizeram buscar
O pergaminho vivo
Que á a tua pele
A pele das pernas
Dos seios
Das mãos e dos dedos
Dos pés também
Onde eu queria
Ter sido rabiscado
Para sempre

Desejos de um amor-garrancho...

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