Visitas

Ia escrever-te uma carta
Não, uma poesia
Qualquer coisa
Que não me deixasse
Morrer de saudade
Enlouquecer de ansiedade

Preparei a máquina de escrever
Que carta boa é de papel
Que o carteiro entrega na porta
E tem sempre uma letra que borra
E outra já gasta
E é torta, desliza no carro
Mas dura pra sempre
No fundo da gaveta
Cemitério de amores

Tudo pronto, era só escrever
Desisti, levantei
E corri pra te ver
E o pombo-correio
Dormiu sossegado
Naquela tarde inteira

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