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Me perdi e...
Não, na verdade
Mesmo
Nada mais fazia sentido
Escrever e ler toda essa merda...
Empilhei o entulho
Ao lado da velha Remington
E encharquei com o resto
Do whiskey da garrafa
De borda lascada
Da boca cortada
O sangue e o álcool...
Acendi um fosforo
E um cigarro
Traguei quase metade
Duma só vez
E coloquei-o sobre a pilha
Imunda de palavras sujas
De tinta e de mentiras
Recostei-me no rangido de couro
E vi queimar o lixo
E, finalmente, oh, Deus,
Finalmente!
Toda a esperança
De que alguém viesse a ler
Minha podridão
Deixei tudo queimar
Com sorte eu também
Queimasse
E queimei
Ossada negra chamuscada
Só o sorriso da vingança branco
E o papel... carbono!
Só sobrou a maldita Remington
Aquela puta barata e velha
Que aceitava qualquer toque
Qualquer golpe
Qualquer desaforo
Qualquer verso mal feito
Qualquer rima
Acreditava e contava
Qualquer história
A casa no entanto
Não queimou
Só o escritório
Um pouco
A cena do crime
Um pouco patética
Um desperdício
Na Remington
Abraçada ao carro
Uma folha de papel
Lambida de leve
Também pelo fogo
Contava a sua versão
Que dizia:
"Me perdi e...
Não, na verdade
Mesmo
...

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