Visitas

Recebi tuas linhas
As do rosto, dos olhos
Do corpo e do sorriso
Descritas noutras
Na carta última
Que me enviaste
A cuja não sobreviveu
O mensageiro

E desalinhado
Coração desaprumado
Blasfemei todos os nomes
Inclusive o teu
E escrevi todos os nomes
Menos o teu
Em todos os papéis
Com todas as penas

Mas foi na fúria parida
Da impossibilidade
De à altura responder-te
Que transpassei minha mão
À bico de pena
E cravei-a à mesa
Para sempre

Pois se não aquieto o peito
Nem o ódio nem a angústia
Nem posso ferir de morte a esperança
Que possa ao menos
Impedir a sanha insana
De escrever e proibir-te
Que me leias

Defunto e aliviado
Por sobre onde procurava
Algum alento e só achava
O meu tormento

Morre o escritor
Onde nasceu:
Preso à mesa
Morto à pena
Sem que lhe chore
Viúva

A musa...


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