Visitas

Há um dia entre todos
Que foram, são e serão negros
Um dia que a maldição não viu
Descuidou-se e deixou à luz
Que me permitirá sorrir
Quando a morte vier terminar
Sua diária infâmia feliz
De aos poucos me retalhar

Um único instante
Um momento
Um triz
Em que, talvez até sem querer
Eu tenha feito
Você também sorrir

Quando tudo for escuridão
Quando a esperança morrer
Quando as portas do inferno
Fecharem-se atrás de mm
Quando cada lágrima vertida
Queimar o rosto cansado
E fustigado pelo destino
Lembrarei esse dia

E de joelhos na fornalha
Que castiga os perdulários
Da vida e do tempo
Açoitado por ter insistido em nascer
Ainda que órfão da vida
Abandonado e esquecido
Pelo mundo, sem sina
Sem ter tido nenhum caminho
Suportarei cada golpe
Amparado por teu sorriso

Meu crime foi ter dado a vida
Que não tive a quem mais
Dela precisou


Nenhum comentário:

Postar um comentário