Visitas

Dói ser a maldição
De ser o que sou
Doeria muito mais
Não ser aquilo
Que a mim se destinou

O remédio acabou-se há tempos
A receita ficou retida
Teu rosto apagou-se há tempos
Atrás de uma tarja preta

A doença é crônica
O destino, irônico
Maldito por não te ter
Maldito por te ter tido

Se o amor é imortal
Amarei-te morto
Até o final

Da noite pro dia
À luz que é nascente e ocaso
A árvore ganhou companhia
Plantaram-lhe ao lado
Alto, imponente um poste
De ferro fundido e cristal

A árvore dava-lhe sombra
E o poste, à arvore, luz
E se complementavam
Assim, meio barroco
Sombra a quem ilumina
Luz a quem penumbra

E o tempo passou
E a árvore não se podou
E tanto que um ao outro amou
Que os galhos se retorceram
E abraçaram pra sempre
O poste que se plantou
Ao lado daquela
Que agora
À noite
Se iluminou