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Tua frieza brutal
Te guardou de cada verso
Meu, arterial
Te protegeu dos estilhaços
De rimas nascidas
Do mais abissal
Arrependimento

Tua arrogância desprezível
Ou vice-verso
Poupou-te do fel e da vingança
Que só um coração ferido
Tem permissão de destilar

E toda essa fortaleza
Que te cobre de impunidade
Não te impediu de te cortares
Me contaram
Na folha de papel
Na qual meus restos
Te enderecei

Bem feito!

Tua máscara sangra
Porque a pele rasga
O que não é verdade

Sangra, pois
Em hemorrágicas orgias
Fantasias
Em que me amas
E queres negar

Tudo em ti mente
Indiferente
Ao desejo de seres
A máscara que visto

Porque minto
Quanto ao que sinto
Que é amar-te
Essa arte
Do engano
Do profano

Pois te quero nua
A ti
Não a verdade
E te consumo crua
A ti
Não a carne tua

Mas a tua alma imortal...

Costura, sutura
Sou tua aos recortes
Farrapos de lençóis
Rotos de tanto uso
E desuso a sós

Faz a bainha
Da vida minha
Corta os fios soltos
Es g a  r   ç a   d  o s
Nós sem ponto [final]

Dobra e guarda com carinho
Na prateleira do armário
Que um dia, um friozinho
Tu te cobres, solitário
De todos os meus retalhos

Dói ser a maldição
De ser o que sou
Doeria muito mais
Não ser aquilo
Que a mim se destinou

O remédio acabou-se há tempos
A receita ficou retida
Teu rosto apagou-se há tempos
Atrás de uma tarja preta

A doença é crônica
O destino, irônico
Maldito por não te ter
Maldito por te ter tido

Se o amor é imortal
Amarei-te morto
Até o final

Da noite pro dia
À luz que é nascente e ocaso
A árvore ganhou companhia
Plantaram-lhe ao lado
Alto, imponente um poste
De ferro fundido e cristal

A árvore dava-lhe sombra
E o poste, à arvore, luz
E se complementavam
Assim, meio barroco
Sombra a quem ilumina
Luz a quem penumbra

E o tempo passou
E a árvore não se podou
E tanto que um ao outro amou
Que os galhos se retorceram
E abraçaram pra sempre
O poste que se plantou
Ao lado daquela
Que agora
À noite
Se iluminou