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Para um amor monótono
Caleidoscópio
Para um amor silencioso
Estetoscópio
Para um amor pequeno
Microscópio
Para perseguir um amor
Periscópio
Para um amor longínquo
Telescópio
Para um amor instável
Giroscópio
Para a falta de um amor
O ópio

De qualquer maneira eu perco
Quando se fecha o cerco
A diferença cá reside
Se me mato
Dou a vitória à vida
Se nela insisto
Venço batalha inglória

Quem pode contra a má estrela
A iluminar com luz negra
O caminho já traçado
Da cruel ironia
De viver
Morto?

Me descansa em paz
Na milésima segunda noite
Não me contes mais
Não me encanto mais

Se mil e uma noites
Não foram o bastante
Não será por uma a mais
Que serei o teu amante

... na ilusão da atração
entre os opostos
estanquei na milésima milha
pelo desgosto
de não encontrar meu negativo
ou talvez o positivo...

com a esperança perdida
fiz a curva e retornei
à vida - que não terei

era coisa de meio metro
minuto e meio
ali, tão perto
você também retornava
meu contrário
que eu tanto amava

pra longe, pra nunca
deste coração refratário
o pobre funca

Olhe, graúna, me diga, home
Você que avoa
Pode assim o céu
Ser igual à terra
Seco de rachar
Bonito de se olhar
Até a morte nos levar?

Oxe, calango, seu menino
E não são o céu e a terra
A mesma coisa
Só que de cor diferente?
A água que seca o céu
Também seca e esturrica a terra
É água que não há
Que existe mas não está lá

Ê, graúna
Assim são os corações
Do casal de desamados
É que o amor existe
Mas não está lá...